Assembleia Nacional Galega  

 

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24.02.2018

A Assembleia Nacional Galega comemora o “Dia de Rosalia de Castro”

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Rosalia de Castro, nascida em Santiago de Compostela num 24 de fevereiro de 1837 e finada na vila de Padrão no 15 de julho do ano 1885, foi uma intelectual, escritora, poeta, romancista e feminista galega. Celebridade imprescindível, considerada a figura mais ilustre e notável da lírica moderna e um do vultos mais representativos da literatura galega. Responsável principal, junto com Eduardo Pondal e Manuel Curros Enríquez, do Rexurdimento galego decimonónico. É conhecida não só a nível do estado espanhol, mas também internacionalmente ao lado da nossa lírica galego-portuguesa.

Neste 24 de fevereiro de 2018, celebram-se 181 anos do nascimento da escritora e 133 do seu falecimento. A “Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega (AELG)” comemora cada ano o Dia de Rosalia de Castro nesta mesma data. Para o 24 de fevereiro, marcado no Calendário do Livro e da Leitura como aniversário do nascimento de Rosalia de Castro, esta entidade propõe, desde o ano 2010, à cidadania que presenteie um livro em galego acompanhado de uma flor, além de outras acções, que, em geral, contam com importante aceitação no seio da nossa sociedade e especialmente no sector educativo.

A Assembleia Nacional Galega quer celebrar este dia oferecendo-vos um dos seus poemas mais conhecidos intitulado “A justiça pela mão”. Através de ele, também queremos denunciar o notável retrocesso na liberdade de expressão, com livros sequestrados (o mais recente caso teve lugar nos últimos dias da mão da obra intitulada “Fariña”), exposições desmontadas a base de telefonemas (nestes últimos dias é notório o caso de Santiago Sierra) titiriteiros, rapeiros ou presos políticos no cárcere (lembremos nos últimos tempos o caso dos integrantes de “La Insurgencia”, Pablo Hasel Valtonyc, ou Jordi Sánchez e Oriol Junqueras). Assim mesmo, queremos também denunciar a preocupante carência de justiça que desde há anos a cidadania temos de suportar com penas de prisão a pessoas pelo simples feito de ter exercido o seu legítimo direito à liberdade de expressão enquanto centenas de políticos corruptos que esbanjaram centenas de milhares de milhões de euros públicos - o nosso dinheiro - continuam a desfrutar de liberdade e impunidade absolutas como se nada tivesse acontecido! Não podemos considerar uma sociedade completamente democrática e de pleno direito quando factos de este tipo estão a decorrer todos os dias face a olhada impassível da sua cidadania.

A Xustiza pola man
- Rosalía de Castro -

Aqués que ten fama de honrados na vila

roubáronme tanta brancura que eu tiña,

botáronme estrume nas galas dun día,

a roupa decote puñéronma en tiras.

Nin pedra deixaron, en donde eu vivira;

sin lar, sin abrigo, morei nas curtiñas,

ó raso cas lebres dormín nas campías;

meus fillos… ¡meus anxos!… que tanto eu quería,

¡morreron, morreron, ca fame que tiñan!

Quedei deshonrada, murcháronme a vida,

fixéronme un leito de toxos e silvas;

i en tanto, os raposos de sangue maldita,

tranquilos nun leito de rosas dormían.

-Salvádeme, ¡ouh, xueces!, berrei… ¡Tolería!

De min se mofaron, vendeume a xusticia.

-Bon Dios, axudaime, berrei, berrei inda…

Tan alto que estaba, bon Dios non me oíra.

Entonces cal loba doente ou ferida,

dun salto con rabia pillei a fouciña,

rondei paseniño… ¡Ne-as herbas sentían!

I a lúa escondíase, i a fera dormía

cos seus compañeiros en cama mullida.

Mireinos con calma, i as mans estendidas,

dun golpe, ¡dun soio!, deixeinos sen vida.

I ó lado, contenta, senteime das vítimas,

tranquila, esperando pola alba do día.

I estonces… estonces, cumpreuse a xusticia:

eu, neles; i as leises, na man que os ferira.

AssembleiaNG - 19:11 @ Língua, Cultura, Sociedade, História, Património | 1 comentário